09/09/2015

A questão dos refugiados

Como se trata de um assunto polémico e porque a educação não é só aquilo que aprendemos na escola mas também na vida, decidi deixar a minha opinião sobre o tema até porque a esperança de que a mentalidade europeia mude de uma vez por todas começa a desvanecer. Desde pequena que me interesso pelos cabeçalhos internacionais e, como sou uma rapariga relativamente sensível, a palavra «refugiados» é uma das que me toca mais, portanto, não podia ficar calada perante os comentários que li, dirigidos por pessoas que dividem a nacionalidade comigo.

Com todo o respeito por quem não apoia a minha opinião, os comentários que vi algumas meninas num grupo relativamente conhecido de uma rede social (acho que já sabem qual é) são lamentáveis. Acham desumano abandonar os animais domésticos (eu também acho) mas já acham aceitável abandonar pessoas que, apesar de divergirem em termos ideológicos e raciais com aquilo a que estamos habituados, procuram ajuda num continente que vêem como exemplar fugidos da guerra e muito provavelmente da morte. Eu acho que o que se passa é que estamos todos a ser manipulados pelas diferentes perspetivas da comunicação social que, muitas vezes, verdade seja dita, divulgam e alteram conteúdos com o simples objetivo de vender. Para além disso, nós, comuns cidadãos europeus, julgamos toda uma população por um grupo restrito (nem todos os sírios são terroristas e isto aplica-se a qualquer outra nacionalidade que esteja posta em causa). Vocês acham que só existe maldade nessas terras? Olhem, eu vejo maldade em cada esquina de rua aqui mesmo em Portugal. Segundo a Declaração Internacional dos Direitos do Homem, todos nós (independentemente da cor, da crença religiosa, da orientação sexual) temos direito à vida (direito este que, no caso dos refugiados, estaria em causa caso não fugissem da sua nação), à segurança pessoal e todos temos o direito de termos a nossa saúde e bem estar assegurados. Para além disso, todos temos o direito de abandonar o nosso país e o direito de lá regressar quando quisermos. Também é importante lembrar que, em caso de perseguição, todo o cidadão do mundo tem direito a procurar asilo noutro país.

Deixando-me de leis e de questões protocolares, o que está em causa é o espírito de solidariedade. Muitos argumentam que Portugal não tem condições económicas para cuidar dos próprios cidadãos quanto mais de outros refugiados mas a verdade é que cá ainda se sobrevive e a maioria da população não está nessa situação de miséria total, mas lá? Lá morre-se, vítima da guerra e da miséria extrema. Como reagiriam vocês se se vissem sozinhos, com pedidos de ajuda negados por erros que vocês não cometeram, com meia dúzia de crianças para criar, sem dinheiro (porque gastaram tudo o que tinham para tentar chegar à Europa), sem meios que permitam a reconstrução das vossas vidas e sem proteção jurídica dada a ausência de documentação? Gostavam de ter as vossas vidas condicionadas por preconceitos raciais? Portugal, comparado aos países de onde estes seres humanos (com a mesma quantidade de ossos que nós) vêm, é um luxo! Vamos mesmos deixar que o egocentrismo permita que mais vidas humanas se percam ou vamos ajudar com o pouco que temos? Afinal de contas, não somos um povo assim tão simpático como nos gabamos de ser. Para agradar a alemães, ingleses, franceses cheios de papel para gastar no nosso turismo somos nós um «bom povo», agora para agradar a quem precisa de ajuda para sobreviver… Bem, acho que já perceberam o meu ponto de vista. Já não posso com a conversa de os refugiados serem «povos perigosos, com a guerra no código genético, sedentos por vingança», acham que se eles estivessem a planear um ataque terrorista o iam fazer arriscando a vida de milhares de crianças, de mulheres (e de homens também)? Acham que o Estado Islâmico e afins não têm meios muito mais eficazes para destruir a Europa do que enviar pessoas disfarçadas de refugiados ou não sabem que são organizações riquíssimas e que dispensam este tipo de processo lento? Deixem-se de especulações e atendam a pedidos reais! Estas pessoas pediram ajuda.

O governo e as organizações que zelam pela paz (esquecendo todas as suas outras falhas) não nos pedem contribuições milionárias para instalar refugiados, pedem-nos apenas que os acolhamos com um sorriso nos rostos e dispostos a ajudá-los na sua integração apesar de todas as diferenças que tornam todos estes sírios, iraquianos, entre outros, humanos! A nós, pedem-nos que acolhamos todas estas pessoas necessitadas tal como acolhemos turistas de países ditos civilizados e que tirem proveito da fama de «povo simpático e hospitaleiro». Tenho dito, mas vale realçar que não sou a favor de deixar entrar toda a gente sem o mínimo controlo (acho que todos os indivíduos devem ser minimamente investigados e o sistema de acolhimento e distribuição de refugiados deve ser muito bem organizado para que este ato de boa fé não interfira com a harmonia das nações que se disponibilizam para acolher vítimas da maldade humana). Para mim, aceitar e acolher como iguais os refugiados é o primeiro passo para a paz mundial. Deixem a vossa opinião sobre o tema, respeitando sempre as opiniões divergentes, comentando a publicação! Estou a «magicar» um projeto de apoio aos refugiados mas ainda é demasiado cedo para falar, quando eu tiver mais pormenores e mais certezas eu vou divulgá-lo para os interessados. E é isto, por agora… Espero que tenha sido esclarecedora.

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