21/06/2016

Humanidades e o culto dos «burros»

Mais um ano se passou! Agora, faz-se uma pausa e começa-se a pensar no próximo ano. Para alguns, o próximo ano é sinal de mudança: vai começar o secundário. Ora, nesta altura, são muitos os boatos sobre os mais diversos cursos, das mais diversas cores e feitios. Portanto, decidi resumir-vos a minha experiência no curso maravilhoso em que estou: Línguas e Humanidades.

Sei que alguns de vocês pensaram ou suspiraram esta deve ser burra para estar em Línguas e Humanidades, não foi seus marotos? Pois bem, Humanidades não é só para burros! Para burros, todos os cursos científico-humanísticos são. Há burros em todo lado: em Ciências e Tecnologias, em Ciências Socioeconómicas, em Artes Visuais e, claro, também em Línguas e Humanidades. Vocês acham que vêm para aqui e não precisam de vocação, de inteligência, ou de outro dom qualquer, e que acabam o curso com duas pernas às costas porque é fácil? Meus amigos: não!
Para já, escolhi como disciplinas de formação específica Literatura Portuguesa (uma das melhores escolhas de sempre) e Alemão. O ano começou da pior forma possível, para alguém que só tinha quatros e cincos (maioritariamente cincos). Comecei por arrancar catorzes, quinzes, mas disso não passava. Entrei em choque! Como é que era possível? Vi que o problema não jazia na falta de estudo, mas sim na capacidade de formular uma resposta. Todas as minhas professoras se mostraram extremamente exigentes com a forma como respondíamos e com o português a que recorríamos. Fundamentar as respostas com passagens textuais ou com referências a documentos tornou-se essencial.

Os primeiros tempos foram passando e a transição entre o básico e o secundário estava próxima do fim: aprendemos a formular respostas e deu-se o clique – aquele de que precisamos para responder de forma a sintetizar aquilo que sabemos, sem menosprezar informação importante. Muitas vezes, chegamos com a ideia errada das disciplinas que frequentamos. Achamos que basta colocar palha e que, assim, conseguimos a cotação máxima. Não é verdade! Palha é tudo menos o que se quer. O truque é responder como se de um pequeno texto se tratasse: com introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, responde-se de forma objetiva à questão. No desenvolvimento, explora-se e fundamenta-se o que foi dito na introdução. Tão simples quanto isso! Ou será que não? Pois é, saber selecionar o mais importante de cada texto ou documento não é nada fácil. Há que ter olho para a coisa. E a linguagem? Não podem escrever como escreviam no ano passado, têm de utilizar um registo formal e recorrer a formas verbais impessoais. Não expressem opiniões pessoais nas vossas respostas, a menos que vos peçam.

 

Final do primeiro período: acabei com uma média de dezassete vírgula um. Horrível para mim! Esforcei-me para desenvolver a minha capacidade interpretativa e para deixar a palha de lado. Resultou a quase todas as disciplinas, onde houve um salto enorme. História teimava em continuar a ovelha negra e a disciplina em que tinha pior nota.
Começou o terceiro período: última corrida para fechar a média do décimo ano e assegurar um terço da nota com que se entra na faculdade. O cansaço era muito, mas a sensação gratificante que era olhar para trás e ver tudo aquilo que evoluímos deu alento para a reta final. Cansaço? Pois é. Nunca tinha experimentado cansaço, verdadeiro cansaço, até lá. As aulas práticas (onde se treina a escrita e se desenvolve outras capacidades essenciais a um aluno deste curso) eram extremamente desgastantes. O horário não ajudou. Fui-me abaixo a Literatura, para dar lugar a um verdadeiro milagre: História despertou! Consegui terminar o ano com dois dezanoves a História, depois de muito ter batalhado para ir além do dezasseis.
Depois desta grande epopeia, em que quase reencarnei Camões (pobre coitado, nunca chegarei aos pés deste senhor), orgulho-me ao dizer: eu superei este desafio! Acabei o décimo ano com média de dezoito, o que me deixa mais segura quanto a um futuro universitário. Resumidamente, o curso apresenta um grau de exigência (talvez não de dificuldade) muito elevado! Literatura Portuguesa e História foram as disciplinas que exigiram mais trabalho e empenho. Alemão é, provavelmente, a disciplina mais complicada do currículo – sendo considerada a matemática do curso. Quanto à minha escolha, foi uma das melhores escolhas da minha vida. Não podia estar mais satisfeita por escolher Línguas e Humanidades: um curso maravilhoso, enriquecedor e útil. Pode ser um caminho duro, mas, no final, vale muito a pena! Por fim, Humanidades não é para burros: é preciso talento, vocação e muita, mas muita dedicação!

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