16/07/2016

Exames: tudo ou nada

Ainda não cheguei lá, mas já sinto que me censurado. As notas dos exames nacionais (quer de secundário, quer de básico) saíram esta semana, semana em que estive no Porto, rodeada de jovens (pouco mais velhos que eu) angustiados pelo futuro que se avizinha.

O sentimento de revolta generalizou-se, embora a um ritmo irregular, dada a velocidade com que cada um tomava conhecimento dos seus resultados. Três anos a construir uma nota sólida e agora isto, diziam. O desânimo, aquele que marca uma segunda fase de exames, possuiu estes jovens: sedentos por descanso, depois de nove meses de estudo intenso.
Será justo? Será justo construir toda uma média, ao longo de anos de estudo, para não conseguir entrar naquele curso por causa de um exame? Um exame, no meio de tantos outros. Um exame, numa hora, num dia, num mês. Um. Terá este um validade suficiente para deitar por terra todo o esforço imenso que a maioria efetua? Não!
Basta! Para além de forçarem adolescentes de catorze anos a estreitar as suas opções mal entram no secundário, ainda restringem o seu futuro com exames que em nada comprovam as suas competências? Para além de não implementarem estratégias de avaliação adequadas aos vários perfis de aluno, ainda prejudicam todos aqueles cujo forte não é uma prova escrita?
Não venham com a conversa do exames são necessários, pois constituem as provas de acesso aos diversos cursos superiores. Porque é que não exigem que determinada disciplina conste na formação do aluno e que tenha determinada avaliação final mínima, em vez de requisitarem provas de sorte? Se os jogos de azar não são permitidos a menores, porque é que os exames são?
 
Enquanto jovem, jovem que estuda, que ambiciona, que deseja, não compreendo como é que um sistema de ensino destes é capaz de formar jovens capazes e competentes. Aliás, não consigo detetar nada positivo nas escolas portuguesas, a não ser aquele professor ou outro que sabe o que faz e que ensina como poucos.
Resta-me desejar boa sorte a todos aqueles que se vão aventurar na segunda fase dos exames nacionais e aguardar que atinjam os seus objetivos. Não se deixem abater! Lutem, esta é e vai ser a vossa vida. Não desistam de vocês, por mais injusto e difícil que seja.

8 responses to “Exames: tudo ou nada”

  1. Anónimo says:

    Não podia concordar mais, estudamos 3 anos inteiros para depois, com umas quantas folhas de papel, perdermos tudo pelo qual passámos noites a estudar e fins de semana trancados em casa, enfim… Já agora, adoro a maneira como escreves, tão organizado e "limpinho" como a minha mãe costuma dizer…

  2. Nada é fácil nesta vida, e neste país de burocracias e merdinhas muito menos! Entendo a tua revolta, já estive desse lado. Mas também já estive do lado em que me disseram "não vale a pena, aquilo (o exame de português) é muito difícil e tu precisas de mais de 16 valores para te subir a média suficiente para entrares na faculdade que queres". Na altura a minha faculdade pedia um 15,2 para entrar em psicologia e eu tinha uma média de 14 e poucas décimas. Portanto, estava longe de entrar e eu não queria passar pela agonia da espera da segunda fase. Então passei um ano inteirinho a estudar sozinha, sem apoios nem físicos nem morais, nos testes tirava não mais que 11 valores e eu só dizia " tou fodida" mas continuei. Eu estudava à noite, de dia levantava-me às 6 da manhã porque às 8 já estava na escola de hotelaria a tirar um curso de pastelaria que iria durar desde março até outubro, vinha pra casa, às 19h ia às aulas e estudava da meia noite (quando saía) até às 2/3h da manhã, isto durante meses a fio até chegar ao dia do exame de português que decidiria a minha vida.
    Tremia que nem varas verdes mas fui, fiz o exame todo na folha de rascunho primeiro, depois passei tudo para a folha de prova e ainda deu tempo para eu reler tudo muito bem. A sorte estava lançada…
    Quando saíram as notas uma amiga minha é que me mandou mensagem e nunca mais me vou esquecer dela "tiveste 17, foste a única da turma inteira que passou". Como não estava a acreditar nesse mesmo dia fui ver a pauta e confirmei, lá estava ele, o meu tão merecido 17 que me subiu a média e me deu passaporte direto para a faculdade.
    Isto tudo para te dizer o quê? Que nada podemos fazer para erradicar os exames nacionais das nossas vidas, são regras que nos são impostas para depois rotularem-nos e decidirem para onde vamos e o que valemos.
    Mas acredita que o secundário é uma brincadeira de crianças à beira do que é a faculdade. A faculdade é uma arena pura onde tu tens mesmo que provar o que vales, o tempo todo! Seja dentro seja fora das aulas porque tudo conta! Tens de competir com todo o tipo de gente, não basta seres boa tens que ser a melhor. E isso cansa, desgasta, sem saber se o futuro vai-nos compensar o esforço, a dedicação, o suor e as lágrimas com o tão esperado emprego na área.
    No meu caso estou a perseguir um sonho e tenho muitos planos B na cabeça para não me perder e o segredo é mesmo esse, seguir os nossos sonhos sem olhar pra trás mas ter sempre no bolso um ou dois planos B, mesmo que esses planos não resultem, vale sempre a pena o esforço porque quando se quer muito muito mas mesmo muito a gente chega lá.
    O resto… O resto são burocracias que nos impõem mas é assim há muitos anos, podemos reclamar mas são "eles" que mandam e no final das contas para "eles" somos só números, nada mais.

    Beijinho
    http://www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

  3. Apesar de já estar formada, lembro-me que quando tive que fazer exames para entrar na faculdade foi uma complicação e estive a beira de não poder entrar no curso porque a nota do exame ficou mesmo no limite pretendido…e no entanto eu tinha uma media de 17.
    Estes país não foi feito para formar como deve de ser infelizmente :/

    Beijinhos e boa sorte nesta etapa!
    ____________
    Todo o caminho é uma aventura e uma forma de coleccionar momentos
    Blog Jess&Rose | Youtube

  4. Inês Elias says:

    Não concordo contigo na parte do «são eles que mandam». Se acatarmos tudo aquilo que nos impões, quer seja moral ou imoral, não vamos progredir. Vamo-nos conformar com uma realidade incorreta e prejudicial. Somos números, números que contam, até porque muito brevemente seremos aqueles que têm poder sobre as carreiras deles e faz parte de uma cidadania ativa contestarmos aquilo com que discordamos. Boa sorte para ti, espero que tenhas muito sucesso 🙂

  5. Inês Elias says:

    Felizmente, estão a haver progressos. Ainda ontem li um artigo do Público, onde constava que a abolição dos exames enquanto provas de ingresso (passando a contar apenas para a média do ciclo) está cada vez mais próxima. Beijinhos e obrigada 🙂

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