07/08/2016

O país em que namorar é feio

Os portugueses são conhecidos pela sua hospitalidade. Mais do que isso, adoram gabar-se pelos seus dotes hospitaleiros! Reconheço a amabilidade do meu povo, são simpáticos e tal, mas há atitudes que me incomodam profundamente. De há uns tempos para cá, noto que são extremamente preconceituosos com casais de jovens namorados. Já para não falar do olhar que lançam sobre as vestes das raparigas, quando as acham demasiado reveladoras.

Nem vou explorar o código de vestuário que os nossos compatriotas defendem, vou focar-me no tabu namoro. Se avaliássemos a pureza de cada um pelo quão escandalizados ficam ao verem um simples beijo, então, meus amigos, os portugueses eram todos virgens. Se andamos de mãos dadas, olham. Se nos beijamos, quase que nos processam por danos morais causados.
Já não podemos ter um momento de intimidade (e com intimidade não quero dizer sexo) num espaço público, sem que o responsável venha com aquele seu tom arrogante ordenar o afastamento. A questão é: o que é que na vida dos outros (que nada vos diz respeito) perturba tanto? Não são felizes? Não têm amor na vossa vida? Aparentemente, não. Caso contrário, não sentiriam necessidade de azedar a felicidade dos outros. Não sei em que é que uma manifestação de amor ofende. E mesmo que ofendesse: quem não gosta, não olha.
São todos uns grandes santos, realmente. Alguns com uma data de filhos em casa, outros que têm atitudes muito mais vergonhosas, muito menos naturais, mas, mesmo assim, vamos lá implicar com atos próprios da natureza humana. Pior: criticam, porém, na hora da fofoca, é à relação amorosa de quaisquer uns que recorrem. Tenham vergonha!
Atenção! Há limites. Defendo que o namoro deve ser socialmente aceite, só que há que ter contenção. Algumas manifestações devem ser mantidas entre as duas partes do casal. Não há necessidade de presenciar filmes pornográficos. Portanto, é óbvio que estou escandalizada por ser criticada, quando tenho sempre atenção ao que pode ferir a susceptibilidade dos que me rodeiam.
Observem bem ao que isto chegou. Eu e o meu namorado, à hora de almoço, vamos almoçar a um café perto da escola e depois regressamos. Como é óbvio, gostamos de ter um tempo para conversarmos e para namorarmos. Também já sabemos o que a casa gasta. Então, escolhemos um local onde não passa rigorosamente ninguém para estarmos sossegados. Não é que uma senhora professora passou e denunciou a nossa presença à direção? A sorte é que ninguém nos conseguiu identificar. Gostava de saber quais foram os argumentos da senhora. Vi-os e só esse vislumbre esbofeteou-me, epa, não sei, detestei, quase morri.
Resumindo e concluindo, senhores e senhoras madalenas ofendidas, metam-se nas vossas respeitáveis vidas e verão que serão muito mais felizes, sem necessitar de estragar os bons momentos dos que vos rodeiam. Evoluem vocês, evolui o país e ninguém se chateia. Se, mesmo assim, o amor alheio continuar a perturbar, recomendo uma visita à igreja. Sejam felizes.

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