28/02/2017

E o Óscar não vai para… La La Land

Ontem foi madrugada de Óscares. Lá fui eu acordar à uma e meia, para ver um bando de gente rica a mostrar os vestidos de alta costura e a ostentar estatuetas que, se vendidas, acabavam com a fome em África (vá, não exageremos, não acabava, mas seria uma grande ajuda). Aquela que se avizinhava como a noite do musical mais publicitado que me vem à memória, acabou por ser a noite das flechadas políticas e das falhas hilariantes.

 A noite começou com uma ovação a Meryl Streep – que eu venero, não só por ser a melhor atriz de todos os tempos, mas também pela sua luta infindável pela igualdade de género – a atriz mais sobrevalorizada, na ótica do Trampa. Seguiram-se discursos marcados pelo descontentamento contra as medidas preconceituosas (que lembram a política anti-semitista nazi) impostas pelo presidente da nação mais poderosa do globo, entre os quais o discurso do realizador iraniano impedido de ir à cerimónia proferido pela sua representante. A situação política do país refletiu-se não só no ato verbal, como também nas contratações da Academia: contrataram-se mais colaboradores latinos, negros, entre outros, e mais mulheres. As fantásticas performances de Viola Davis (Fences) e Mahershala Ali (Moonlight) valeram-lhes o estatuto de primeira mulher negra a ganhar um Oscar, um Tony e um Emmy e o estatuto de primeiro homem muçulmano a ganhar o prémio de melhor ator secundário, respectivamente.
A par da premiação da igualdade e da diversidade, premiou-se também, mais negativamente, a violência sexual. Brie Larson, uma ativista em defesa das vítimas de violência sexual, recusou-se a aplaudir Casey Affleck, depois de este ter sido acusado de violência sexual.
O grande coadjuvante da sátira política foi, sem dúvida, Jimmy Kimmel. O apresentador, para além de ironizar a posição dos Estados Unidos, animou a cerimónia, fazendo voar doces, levantando o ator Sunny Pawar como no filme O Rei Leão, trazendo um autocarro de turistas para a cerimónia (sinceramente, este episódio pareceu-me encenado), enfim.
O ponto alto da cerimónia – e o mais criticado – foi, sem dúvida, o equívoco final. Então não é que foram dar o prémio de melhor filme ao La La Land e o vencedor era o Moonlight? Amei! Não ria assim há muito tempo. Quem gostou do filme e viu nele potencial não deve ter achado tanta piada, mas não é o meu caso. Não é que eu não tenha gostado do filme, gostei. Aliás, foi um justo vencedor em todas as categorias que efetivamente venceu, à excepção de melhor atriz principal (a Emma Stone esteve bem, só que a Natalie Portman esteve soberba). La La Land deixa a desejar no que toca ao enredo. Já toda a gente está farta da menina que quer ser atriz, mas não passa de uma jovem normal, só que a sorte lhe bate à porta e ela consegue concretizar o seu sonho. Mais cliché só uma menina rica que tem um desgosto amoroso e, no fim, encontra o príncipe encantado que esteve sempre perto dela. O cenário, a música, a montagem do filme e a química de Stone e Gosling fizeram o filme valer a pena. De resto, é lamentável a quantidade exagerada de publicidade que teve. Modo mais fácil de manipular o público não há. Moonlight, para além de ser um filme com um orçamento muito abaixo do normal, é o justo vencedor pela temática social que explora, tão recorrente nos dias de hoje e ainda tão menosprezada.
Bem, é isto. Não me crucifiquem, é só a minha opinião. O que eu escrevo não é lei, mas esta é a minha visão da cerimónia que tanto tem de fútil, como de arma social.

4 responses to “E o Óscar não vai para… La La Land”

  1. Nunca vi o Moonlight mas quero ver!!
    Quanto ao La La Land gostei mas acho que não foi nada de "wow"!
    Beijinhos,
    BabyLú
    http://www.luciaffmoreira.blogspot.pt

  2. Margarida says:

    Não acho normal há tanto tempo que não vinha aqui.
    Mas claro, não posso deixar de ler tudo! Beijo

  3. Jaime says:

    F*ckin’ remarkable things here. I am very glad to see your post. Thanks a lot and i’m looking forward to contact you. Will you kindly drop me a e-mail?

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Don't miss a thing!

Hi! I'm Inês, a near Lisbon based brunette, currently starting a Law degree. If you want to get exclusive unpublished articles (such as my lasagna recipe), a lot of freebies and a monthly update on what's going on in here, don't forget to sign up to our newsletter.