05/04/2017

Morrer na praia e outras acrobacias da vida

Dois trimestres já foram, só falta um. Quer dizer, falta um pouco mais, porque tenho os exames nacionais para fazer. Agora vem o descanso (só que não, esta semana tenho treino todos os dias, para ver se não me esbardalho na competição de domingo) e a reflexão acerca do período letivo que passou. Março foi um mês de revelações: descobri que a maior parte das pessoas com quem lidamos e a quem chamamos de amigas são, na verdade, um monte de censurado e descobri que, afinal, sou capaz de ter tomates.

Passemos ao primeiro ponto. É ligeiramente revoltante quando a nossa bolha da ingenuidade rebenta e nos apercebemos que os nossos amigos não passam de seres interesseiros, oportunistas e invejosos. Se há coisa que eu mais odeio (sem falar na injustiça), são indivíduos que têm como passatempo derrubar quem os rodeia e, claro, faltas de consideração. Foi com grande agrado que recebi, vindo de uma pessoa que considerava amiga, o juízo de que os meus feitos académicos são desonestos. Ainda mais engraçado do que ouvir isto, foi refletir acerca do percurso escolar dessa pessoa e verificar que não tem moral nenhuma para opinar sobre o meu sucesso (resumindo, é uma invejosa do censurado). Sim, estou revoltada, furiosa, chateada. Quer dizer, uma pessoa faz tudo por eles (eu cheguei a estar no hospital com uma infecção respiratória a enviar e-mails a professores, porque os lordes e as madames queriam que eu tentasse que os testes fossem adiados, sabendo que eles têm dedinhos e boquinhas para o fazer) e, em troca, recebe enxovalhanço. Eu não sei porquê, mas acho que pensam que eu sou burra e que não percebo a essência deles. Por favor, não sejam o tipo de amigo que descrevi e não deixem que esse tipo de amigo vos sugue todo o vosso sangue.
Passando ao que realmente importa, que é o que nos faz feliz. Um dia destes, fui à Futurália. Como estava indecisa entre três universidades, tentei descobrir o que diferenciava cada uma delas. Apaixonei-me, de imediato, por um programa de estudos. O problema? O preço das propinas nessa universidade é o quádruplo do preço das propinas das outras duas universidades. No entanto, informei-me junto da menina mais querida que falou comigo nesse dia e vi que, se mantiver os meus resultados e conseguir bons resultados nos exames nacionais, sou capaz de entrar com bolsa de estudo. A minha mãe não ficou muito contente, porque a média de manutenção da bolsa é elevadíssima, mas eu vou arriscar (caso consiga entrar com a tal bolsa de estudo).
Entretanto, apesar de ter subido os meus resultados, levei um total knock-out de uma das minhas professoras, que me vai baixar um valor este período (aprendam comigo a morrer na praia). Eu adoro-a e fiquei desapontada não com a sua decisão, que foi justa, tendo em conta a minha apresentação oral, mas comigo própria, por não me ter preparado devidamente para a mesma. Como ainda há esperança no ensino português, ela prontamente me motivou e me chamou à razão para o que realmente importa: a nota final do ano.
Para vocês, que ainda não chegaram ao penúltimo ano da escola propriamente dita e têm medo do que virá, posso dizer-vos que, pelo menos no meu curso, é um ano muito mais pacífico do que o décimo. O mito de que Os Maias é uma seca, disso não passa. É dos livros mais entusiasmantes que já li em toda a minha vida (e eu nem gosto assim tanto de ler). Para além disso, ter uma atividade desportiva ajudou-me a distribuir o estudo, o que aliviou bastante o meu estado de espírito. Eu tinha a mania de estudar na véspera, só que como não posso faltar aos treinos passei a organizar o meu estudo e a dividi-lo por várias sessões de estudo mais produtivas e menos cansativas.
Por falar nisso, passados cinco anos desde a minha última competição de ginástica, este domingo volto a competir. Já és tão velha, como é que é possível? Se uma pessoa nunca praticou ginástica e aos dezasseis anos decidi começar a praticar, é melhor esquecer. Eu já tinha as bases, apesar de ter praticado Tumbling e agora praticar Acrobática. Claro que tive de aprender algumas coisas que não se trabalham no Tumbling, mas sempre é mais fácil do que aprender tudo de raíz. Eu sou base intermédia no meu trio e, em comparação com a modalidade que praticava, eu estou totalmente encantada pela Acrobática. Como é um desporto de equipa, é muito mais entusiasmante e criam-se laços incríveis. Para mim, é uma modalidade muito mais penosa para o corpo, mas muito mais gratificante e bela. Durante a primeira semana de férias vou treinar duas horas e meia diariamente. Só espero que o esforço valha a pena…

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